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De como Olavo de Carvalho não sabe nada de nada sobre o PSDB, o PT, o “socialismo fabiano”, nem sobre a noção de “revolução passiva” em Gramsci

Eu sei que esse tom de bravata deve ser modulado daqui em diante. Mas essa é uma “peça de resistência”. Sim, eu realmente acredito que Olavo de Carvalho fez muito mal à intelectualidade no Brasil e criou nano-fascistas da “alt right” e que isso não é bom. É gente que fala sem saber de nada. E isso está a anos-luz de “ciência” política. Por isso publico o texto abaixo, em que tentei deixar claro que a própria maneira com que Olavo de Carvalho sempre encarou o gramscismo, o PT e o PSDB é simplesmente uma distorção da realidade, uma espécie de “paralaxe cognitiva”, que faz afirmações que não dizem respeito factual a nenhum dos dois partidos de centro-esquerda ou mesmo de esquerda (no caso do PT), mesmo que este partido tenha do dia para a noite virado, em 2003, um partido que, no governo, praticava medidas neoliberais (no sentido daquele liberalismo que vem da Universidade de Chicago), do qual o próprio Bolsa Família faz parte enquanto uma prática do que esses “neoliberais” da escola de Chicago chamavam de “imposto negativo” (e aqui vejam Suplicy chamando a coisa pelo seu nome). Ao texto. Com o tempo vou acertando o tom, tanto quando falo do departamento de filosofia, como quando falo do próprio olavismo. Todo iconaclasmo deve proceder com uma “destruição respeitosa dos ídolos”. Agora, é óbvio que ninguém vai gostar do que tenho escrito. Mas não estou aqui para agradar ninguém, só para apontar para fatos e situações que me parecem um tanto arcaicas, ou simplesmente, no mais das vezes, simplesmente desonesta ou mal informada.

Se quiserem me bloquear, Filipe G. Martins e Olavo de Carvalho, eu fico aqui falando sozinho. Mas irei falar sobre e como acho que deva falar. E isto, daqui em diante, com modulações e em tom mais construtivo, do que destrutivo.

Remeto ao texto, porém, que é um comentário sobre um comentário de Olavo de Carvalho e de seu “pupilo” brasiliense, Filipe G. Martins, a quem sempre considerei uma pessoa temperada e amigável, embora eu ache que ele esteja indo por um péssimo caminho, defendendo Trump e o indefensável. Sem mais delongas, porém, sigamos com o texto.

Caveat: como se trata de texto de Facebook, e eu tenho feito um uso de hashtags tanto como “marketing de guerrilha”, como “auto-irônico”, o texto tem um caráter meio que de “internetês”. O que importa, porém, é apontar para o que de fato era o PT, o que de fato foi o PSDB, e como ambas se formaram. Nada tendo o PSDB a ver com “socialismo fabiano” e sendo esta uma expressão conceitual que diz nada sobre nada em quase nenhum momento histórico. Foi uma modinha temporada no Reino Unido da Grã-Bretenha no último quartel do século XIX e no primeiro quartel do século XX. Morreu cedo. O que resta do “movimento” hoje são relíquias. Eles não têm influência política nenhuma, e se tiverem é preciso mostrar que tenham. Mas duvideodó.

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Filipe G. Martins defende uma 'ciência' política que é somente 'ideologia' política, no sentido marxiano de ideologia
Filipe G. Martins defende uma ‘ciência’ política que é somente ‘ideologia’ política, no sentido marxiano de ideologia

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O que o Filipe não pode dizer é que Olavo de Carvalho usava muito, mas muito mal o conceito de #SocialismoFabiano, que nada, nada tem a ver com gramscismo, nada tem a ver com marxismo, nada tem a ver com nada do Brasil. Pobre Bernard Shaw, #RestInPeace.

Olavo sempre confundiu a social-democracia brasileira ou o partido que leva tal nome com “socialismo fabiano”. Às vezes chamava de “menchevique”. Coisa triste. Nada, mas nada a ver com nada.
Se isso passar por ciência política só o pode ser enquanto ideologia no sentido mais marxiano do termo: “mentira”.

Usar o conceito de “socialismo fabiano” (só porque Delfim Netto assim se definiu um dia, lá longe) é de uma caipirice que só podia vir de Campinas (nada contra a cidade, nem contra a Unicamp). É que a turma lá, como a turma cá do ABC Paulista, puxa o “r” e tal.

A melhor maneira de entender FHC é pelos debates cepalinos (o mesmo se pode dizer de Serra). A questão ali era totalmente outra, tinha a ver com Florestan Fernandes, com desenvolvimento do capitalismo no Brasil, e mil coisas mais. Havia um sociólogo na USP que dava aula sobre isso. Tenho o DVD dele, até talvez esteja no YouTube (se não estiver, eu ripo e ponho lá).

Aliás, quem entende melhor no Brasil o que era e o que representava o PSDB chama-se Reinaldo Azevedo, o sub-intelectual do partido. Em entrevista na #PrimeiraLeitura (vou pegar e escanear essa porcaria) fica cristalino do que se trata o #peessedebismo e a própria presidência de #FernandoHenrique, que até #MarilenaChaui veio a entender em 2006, “o novo príncipe”, aquela história toda.

Quanto ao PT e suas sub-facções alinhadas (#CUT, #PCdoB, #UNE, #MST, etc., etc.) ali a balbúrdia é enorme. Há um pouco de #Gramsci, há um pouco de #NewLeft americana, há “programa de renda mínima” (o que lembra o #neoliberalismo nato da #EscolaDeChicago), há trocentas mil coisas. Mas o que há principalmente é a #figuraweberiana do #LíderCarismático. O #PT não existe sem #Lula, vice-versa, e o Estadão sempre esteve certo ao grafar em editorial #lulopetismo. Não existe PT sem Lula e não existe Lula sem o PT. Mas existe o PT sem Toninho do PT (Campinas, #MartimVasquesDaCunha sabe disso) e existe PT sem #CelsoDaniel (eu sei bem disso, acompanhei todo o noticiário do prefeito de minha cidade in loco a partir de 20 de janeiro de 2002). Não, não vou olhar a data porque um é o dia em que ele é assassinado, lembro bem; outro é o dia em que ele é sequestrado (dois dias antes ou três).

E o PT sem Toninho e sem Celso Daniel tem dois nomes: #Palocci e #Mantega. Como um país pode ter tido dois ministros da Fazenda (Mantega foi do desenvolvimento no começo) que justamente manipulavam as finanças do próprio partido a partir de propina de mil e uma empresas campeãs nacionais?

E a Época e o #DiegoEscosteguy (editor da revista) vêm falar em derrubar #MichelTemer? Como se pode derrubar o subproduto — a PUTA do PT, empalar o empalador #Drácula — a 1 ano e alguns meses das #presidenciais? Como se pode dizer que #Temer é o líder da #ORCRIM (organização criminosa) mais perigosa do Brasil? Não, o líder da ORCRIM é Joesley Batista (em conluio com o PT) e sua assessoria de imprensa chama-se Rede Globo.

Enfim, #OlavoNãoTemRazão e #OlavoErraMuito.

(Publicado originalmente no Facebook em 1º de julho de 2017.)

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