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Começando uma longa conversa sobre « O Departamento Francês de Ultramar » (vai, Paulo Arantes!)

Foto do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (ou o Jardim das Aflições)

Como seria o mundo sem a Cidade Universitária da USP segundo o Estadão? Basta clicar no link à esquerda.

Quanto ao resto, por ora nada tenho a dizer. Vou me restringir nesse início às seguintes postagens em rede social:

Postagem 1

Tomei minha decisão, queridos Joel Pinheiro da Fonseca, Luiz Felipe Panelli, Ricardo Marques Silva, Daniel Nagase, mas fiquem tranquilos que a luta não é sua, nem vou ficar marcando vocês no futuro. Era só uma deliberação alegre (não brinco, estou feliz mesmo) tomada depois de uma boa e gostosa noite de sono bem dormida. E dormi pra valer mesmo. Até ronquei (preciso emagrecer e parar de fumar um maço por dia, hehe). Pena que titio Olavo de Carvalho me bloqueou, não adiantou nem a água santa de Filipe G. Martins.

 

Postagem 2

Se ele escreveu aquele livro sobre « ciclo de conferências sobre Ética na Política », organizado pela secretária da cultura, Marilena Chaui, realizado no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, durante o governo Luiza Erundina (salvo engano), ele o fez sem ter passado 10 anos na USP, sem ter carteirinha e ainda ser aluno da licenciatura (como essas coisas acontecem, só a administração da FFLCH – USP pode explicar, ou do Departamento de Filosofia da USP ou da Filosofia FFLCH-USP).

Alguém precisa atualizar “instantaneamente”, ao longo dos próximos 18 meses, O Jardim das Aflições. Com um pouquinho mais de conhecimento de vivência por lá e por conhecer o #ModusOperandi interno da coisa, as disputas, as vaidades, as veleidades e também as cretinices; mas meu trabalho será mais arqueológico. Vamos revolver e revocar o campo santo da #FazendaButantan.

À luta, guerreiros! (Refiro-me à vitória exemplar dos Corinthianos ontem sobre o Avanti Palmeiras no estádio do #AranasPark).

É preciso tentar entender de onde vem a burrice do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Vem Pra Rua (VPR)

Manifestações de Junho de 2013, período em que Dilma Rousseff sancionou a Lei da Delação Premiada (Lei n.º 12.850, de 2 de agpsto de 2013)

Tenho feito e proclamado o quanto posso a diferença óbvia entre « teoria da conspiração » e « prática conspiratória ». O que acontece hoje no Brasil é um espelho sub-óptico para o que vem acontecendo nos Estados Unidos e no resto do mundo. Sim, vou usar o vídeo do Joel para apontar uma falha: ele se recusa a especular quanto ao financiamento intelectual do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Vem Pra Rua (VPR), essas entidades partisan (e aqui o termo é preciso e técnico, por isso não “partidário”), que não passam de massa de manobra para uma luta mundial da qual o Brasil é um mero satélite.

Até posso brincar de troll no Twitter e no Facebook, mas se for para falar a sério, e apenas com um tom sóbrio, eu também posso fazer isso. De fato, aquele movimento que se mimetiza como uma farsa do Movimento Passe Livre (MPL) nas jornadas de junho de 2013 veio a constituir algo que o vocabulário filosófico nos permite dizer o nome da coisa, do fenômeno, da maneira mais clara possível: o MBL e o VPR não passam de um simulacro muito do ruim do que era o MPL. Simples assim.

Isto a que chamo há um bom tempo de « novíssima direita », embora no passado dissesse respeito apenas ao olavismo militante e festivo, veio a se tornar uma farsa ideológica no sentido mais marxiano e puro do termo. Mas não vou eu aqui agora dar aula de o que significa ideologia em Marx. Isso fica para os próximos meses, e a luta vai ser dura. É preciso, de todo modo, de um projeto pedagógico, que explique da maneira a mais simples possível os erros grosseiros que são cometidos propositadamente associando certos jornalistas de esquerda àquilo que Kellyanne Conway cunhou como « fake news », « alternative facts », e isto num mundo pós-moderno, em que impera a pós-verdadepost-truth world »).

O perigo que se está correndo no Brasil é enorme e começo a apontar para certas organizações que vêm trabalhando para espalhar essa ideologia da chamada « novíssima direita », que é totalmente vinculada a Edward Snowden, Vladimir Putin e Sergey Lavrov. Poxa, mais « teoria da conspiração » ?

Edward Snowden: "a choice between Donald Trump e Goldman Sachs"
Edward Snowden: “a choice between Donald Trump e Goldman Sachs

Não, não é teórica, é prática de conspiração, visto que a campanha de Donald Trump  se beneficiou enormemente de um « comando » vindo da Rússia que apregoava que a opção era entre « Goldman Sachs » ou « Donald Trump ».

O que esse pessoal do MBL e do VPR estão fazendo é simplesmente mimetizar infantilmente algo que veio de fora. Não foi à toa que a Wikileaks vazou o discurso de Hillary Clinton no Goldman Sachs poucos dias ou semanas antes da eleição — escrevo de memória, com o tempo os devidos dados e as informações precisas virão à tona.

De todo modo, é preciso sim combater essa turma que se comporta exatamente como os gestores da campanha de Trump trabalharam. Falavam de « George Soros », da « Fundação Ford », do « Council on Foreign Relations », etc. Há um fundo de verdade nisso tudo? Sim. O problema é que toda mentira e toda ideologia se propaga justamente com algum elemento de verdade. Não há mentira que não se propague memética e mimeticamente sem algum fundo de verdade.

Só que quem patrocina, com ou sem dinheiro, a ideologia desse pessoal e seu discursinho falso, barato e fragilista? Isso aqui é importante começar a investigar. E o que a campanha de Trump mais evitava durante as eleições era justamente o « fact checking », o instrumento mais básico do jornalismo e da reportagem jornalística. Se não há ninguém para checar o que dizem, vão fazer como Trump, que especulava que a taxa de desemprego “real” — ele “ouvira” falar, e assim ele se pronunciou —  beirava a 30, 40, 50%?!

Ora, nenhuma democracia funciona sem uma imprensa forte, cujo papel não é o de ser ela mesma a engendrar movimentos de rua, de manifestações, etc., como a Globo fez com os caras pintadas, e isto depois de ter eleito Collor com edição do debate contra Lula no segundo turno de 1989; isso quando eles fizeram uma novela que espelhava justamente a figura do “caçador de marajás” (ou de “maracujás“, como retrucou jocosamente Lula em um dos debates de 1989).

Eu já disse mais do que queria dizer. Mas digo que não, não é « teoria da conspiração ». As pessoas precisam urgentemente começar a se informar sobre o que foi o evento dos « Red Balloons Challenge » da DARPA (agência ligada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, criadora da internet) em 2009, pouco antes do início daquele troço esquisito que foi a « Primavera Árabe » e precisam também começar a entender o que empresas como « Cambridge Analytica » estão aí para fazer. Com o tempo, vou desenrolar esse nó e juntar tudo num discurso coerente. Mas tudo que a realidade nos oferece neste momento são meros vislumbres de manipulação, que não se sabe muito bem a origem.

Joel Pinheiro da Fonseca está certíssimo em chamar a atenção do MBL (e do VPR, indiretamente, creio), porque o que estão fazendo chama-se simplesmente « canalhice intelectual ». E se há uma hora para não se calar, para não se ausentar, para não fugir da raia, é agora; mesmo que eu tenha que abandonar a fanfarronice e começar a acender vela para quem faz um trabalho de jornalismo sério, mesmo que esse jornalismo venha da esquerda ou de uma direita jacobina e tosca.

Em suma, pensava eu hoje no fim da força-tarefa da Lava Jato e em seus efeitos deletérios para a economia do país, e para o debate público em geral, muito « desinformado » — aqui Joel usou o termo em sua acepção mais correta, porque « mal informado » é quem não tem a informação correta, « desinformado » é quem é vítima de informação proveniente de propaganda revestida de verdade.

E o que eu pensava se dá mais ou menos nesses termos: já findou a hora de passar o Brasil a limpo. Não importa mais saber o que aconteceu no « passado ». Os players políticos estão todos mancos. O que importa é pensar « hoje » e « agora », « já » no Brasil que queremos para o « amanhã ». Pode parecer um clichê, pode parecer que eu virei o que eu acusava os outros de ser, « expectadores » (aqueles que criam expectativas mirabolantes e revolucionárias); mas embora eu diga que as coisas têm de mudar, ainda assim fico aqui no meu papel de mero espectador dos eventos do mundo. Mesmo que eu venha a intervir no debate público. Afinal, esse é meu papel de « intelectual orgânico  do conservadorismo prudencial e cético ». Sim, usei uma linguagem barroca, mas é urgente distinguir a « direita xucra e jacobina e burra » de uma direita que nem direita quer ser; não importa ser de direita, importa ser direito, reto, correto. E contra fatos não há argumentos. Outro clichê, sim. Só que « MBL », « VPR » e quejandos nem argumentos têm! São de uma « pseudo-intelectualidade e militância tão infantóide », tão primária, que nem têm o que dizer seja sobre o que for. Só apelam para manifestações baixas e vis, quando o que o Brasil precisa hoje é de gente séria, trabalhando a sério e pensando o país sob uma perspectiva mais ampla.

Sim, isso inclui ler os clássicos. Martim Vasques da Cunha e Fernando Haddad são dois pólos opostos de um fenômeno que, a despeito de suas falhas e basbaquices, estão aí para produzir algo diferente. Agora, eu sinceramente não acho que vai ser a retroalimentação de um discursinho repetitivo, autorrotulado de conservador, como o de Bruno Garschagen ou de Rodrigo Constantino o que vai nos salvar (muito menos seja o que vier do « clã da família Bolsonaro »).

Falta-lhes noção histórica do que é « a questão brasileira ». Eles (Garschagen e Constantino) a entendem muito mal, embora o primeiro queira brincar de Winston Churchill e o segundo de Ron Paul ou até Paul Ryan.

A reação que Joel Pinheiro da Fonseca mostra nesse vídeo, sem incensá-lo, é exatamente aquilo de que precisamos. Mais gente que saiba pensar e cujos dois neurônios não funcionem na base de « amigos x inimigos », « globalistas x patriotas », « esquerda ou direita ».

Ronald Reagan já alertava para algo parecido em discurso de 1963. Não é o « fenômeno do trumpismo » a resposta a problema nenhum. É uma mudança brutal na cabeça oca desses libertários que nasceram ontem e nem sabem aonde vão, nem de onde vieram, pastiche que são de um próprio movimento que ele mesmo era de esquerda, o MPL, que inerme que fosse, pelo menos era mais honesto que esses simulacros que vieram a formar as hordas da « Novíssima Direita ».

*

Abaixo segue um artigo do Valor Econômico sobre a Cambridge Analytica. Vejam, Joel Pinheiro da Fonseca falha apenas em não enxergar (por ora) de onde vem o ataque que esses caras estão fazendo. Isso envolve questões como « big data », « manipulação mal-intencionada e de má-fé de redes sociais » — nas quais lacram e mitam o tempo todo — e « marketing de guerrilha » que é ele muito nocivo quando usado pelas mãos erradas de quem não sabe aonde quer chegar com o que propaga.

Infelizmente, a matéria original do Valor Econômico (“Após Trump e Brexit, Cambridge Analytica vai operar no Brasil“, 13/03/2017) é fechada para quem não assina o jornal.

Só que, por acaso, o leitor pode a ela ter acesso via os prints abaixo. Lembrando que isso não é « teoria da conspiração », nem sequer responde a tudo. Mas dá indícios do que anda acontecendo nas redes sociais mundo afora, isso sem contar « os recentes ataques via ransomware ».

O mundo virtual é cada vez mais perigoso. E talvez um dia os bravos guerreiros de hoje ficarão sem paciência e energia para seguir em frente combatendo o bom combate. Simples assim.

Ao artigo do Valor Econômico abaixo (para quem interessar possa):

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