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Missiva a quem interessar possa

Prezad@ Professor@,

em primeiro lugar, peço desculpas por seu e-mail ter aparecido ali em CCO. @ senhor@ nada tinha a ver com a  « estória »  (e não  « história » ).  @ senhor@ não participou de forma alguma dos eventos,  a não ser como coadjuvante,  há pouco mais de um ano,  quando trocamos,  nós,  alguns e-mails sobre Boécio e sobre o vocabulário do ser e a noção de  « existência »,  sobre a qual tenho um ponto de vista  « disruptivo »; pessoalmente,  considero o substantivo  « ex-sistentia »  uma invenção latina,  que remonta a Cícero ou até antes dele;  assim como tenho o mesmo ponto de vista sobre o verbo  « ex-sistere »  e sua não sinonímia com o verbo ser.

Pessoalmente,  e isto vejo já em Boécio,  e também,  na filosofia grega clássica,  nos diálogos platônicos  (e até antes disso e depois disso),   o verbo  « ser »  ( « eimi », « einai » )  sendo usado ora em sentido copulativo,  ora em sentido não  « existencial »  (porque tal noção é latina),  mas em um sentido que diz respeito à vida e ao viver  (e, sim, isso aparece claramente em Boécio).

Seguindo esse “princípio”,  Deus não existe;  não faz sentido falar na  « existência »  de Deus,  porque Deus não provém (existir é formado por  « ex- »  +  « sistere »  ou  « -stare »  e  « -sto », na primeira pessoa do singular do indicativo).

Assim,  o resultado é que Deus não  « está a partir de… »  e sim simplesmente vive;  assim como nada  « existe »,  mas os seres vivos  « estão »  ou  « vivem »;  quanto aos objetos inanimados,  eles simplesmente são,  no sentido de que estão no mundo ou dizem respeito a um  « estado de coisas »,  ou como as  « coisas são »  e não como  « elas existem ».

Dito isto,  e espero que  @ senhor@ tenha aguentado até aqui  (geralmente as pessoas não têm muita paciência para me ouvir, porque o verbo  « existir »  e  o substantivo  « existência »  — como na questão da  « existência de Deus »  ou mais tarde, do « ego cogito »  e, pois, « ego sum »  […]  —  são tomados naturalmente como significando  « penso, logo existo »  [só que nem no latim, nem no francês, Descartes parece usar o verbo existir, afinal diz que  « cogito, ergo sum »  e  « Je pense, donc je suis » ]  [… .]

E por que estou dizendo tudo isso?  Porque era essa a minha pesquisa,  que eu jamais consegui levar para frente,  em meu projeto filosófico pessoal de pesquisa sobre  « a latinização do verbo grego ser »;  eu não conseguia ir para frente nem em minha  [IC]  com o professor  [MZ],  nem consegui ir para frente em meu mestrado com o professor [JCE],  e depois,  em minha banca de defesa de mestrado,  com os professores  [CEO]  e [JSF].

E  @  senhor@  sabe que há uma briga de morte patética entre dois grupos de pesquisa de  [FM],  que disputam espaço e que não se veem muito bem um ao outro  — as barbaridades que  [E]  dizia sobre  [J], inclusive citando seu nome e dizendo que você destruíra  [J]  na defesa de doutorado dele, inclusive dizendo que ele plagiara o que  @  senhor@  tinha escrito, são suficiente[s] para perceber que se trata mais de uma picuinha entre alguém que foi orientado por  [MC]  e que, no loteamento de cargos na [U1]  e na  [U2], houve briga de morte para ocupação de espaço (ou seja, quem ia ficar com [quê]).

Isso lembra muito as briguinhas entre os soviéticos  (e outros comunistas por toda a parte, do início ao final, do século XX)  para ver qual grupo conquistaria a  « hegemonia »,  havendo na  [U3]  mesmo uma enorme trincheira para que cada grupo indicasse um dos seus,  e isso aflorou muito na época em que  [VS]  e aquel@ orientand@ d@  professor@  [T]  ([MN])  disputaram posição para ver quem ganharia a vaga.

De novo,  @  senhor@  não teve, nem tem nada a ver com isso — até onde sei.

Agora, o que sinceramente me irrita é que há um certo  « pensamento de rebanho »  no  [C]  em geral (pelo menos em sua  « facção »  [U3]),  que leva qualquer um que ali vire pesquisador a assumir os preconceitos e preconcepções filosóficas,  e até sociais,  do grupo.

Ou se imita e se abaixa a cabeça a el@s,  ou se se @s questionar  (em aula, em seminários, etc.)  o resultado será um,  « você não sabe o que está falando »,  e isso quando el@s não têm nem sequer a abertura para realmente escutar e tentar entender o que se está dizendo,  ao contrariar o  « pensamento único »  de como se deve fazer não filosofia (porque  « a filosofia está morta » ),  mas uma pesquisa de museu e/ou antiquário sobre o que realmente disseram ou escreveram os antigos  ( no caso do grupo d@ prof@  [Z] )  ou o que disseram os tardo-antigos  (prof@  [MN]  e em muito menor grau @ prof@  [LM],  que tem muito mais abertura para ideias diferentes, embora eu não tenha certeza absoluta disso).

Então tive minha caveira feita ali porque eu simplesmente não conseguia levar minha pesquisa à frente, principalmente por ter elogiado o trabalho de  [JSF]  na  [A]  de outubro de 2012, em que inadvertidamente defendi o trabalho de  [J],  ao que,  @s professor@s  que lá estavam,  ficaram furios@s,  porque eu  « não tinha bibliografia »  (tinha mais ideias minhas para tentar levar a cabo uma pesquisa autônoma e com leituras próprias)  e ainda tive a desonra de defender quem, na época, eu não sabia era vist@  como um@  « inimig@ »  do  [C].  Agora,  @ senhor@ pode dizer que não é assim; mas isso me foi dito à exaustão  pel@ própri@  [E]  e pelo enorme mau humor com que sempre trataram  [J], que eu,  pessoalmente,  admiro enquanto pesquisador@,  embora não aceite suas posições políticas,  que estão ligadas a um outro grupo de poder, que é associado à figura de  [MC].  E, para variar, @s professores do dept. de  [F]  da [U3] também não levam nada a sério @ mencionad@ professor@,  e fazem sua caveira sempre que podem.

Por que digo tudo isso?  Porque  @ senhor@  disse que meu e-mail original não fazia o menor sentido — essas não foram as palavras, mas a conotação e a pragmática enquanto tipo discursivo dizem outra coisa.

E sempre que eu ousava criticar ou fazer perguntas sinceras e honestas, ou comentário sobre como  « não era bem assim »,  « o assunto é mais complicado »,  e « nós temos direito sim de pôr em questão o que os antigos e medievos disseram,  porque,  mesmo que não estejamos em seu nível,  a filosofia nivela a todos do ponto de vista argumentativo ».

E eu nunca aceitei a autoridade de uma personalidade,  seja a de um filósofo morto há séculos ou milênios,  nem muito menos a d@s  « mandachuvas »  da estrutura algo oligárquica e  « caudilhista »  (ou da figura do  « homem cordial »  de  Sérgio Buarque de Holanda,  que vive socialmente na base dos  « amigos x inimigos »,  porque toda relação profissional acaba virando uma relação algo pessoal,  e quem distoa do que dizem ou da maneira como agem,  torna-se logo um pária e aplica-se  o  « seja anátema »   e   « seja ostracizado »).

Pior,  não bastasse isso,  em minhas últimas conversas com  @  ex-orientador@,  sempre que eu fazia uma crítica ao comportamento de grupo, ou ao fato de que se fala constantemente mal  um@  d@  outr@  pelas costas, faz-se a caveira de colegas constantemente,   [E]  insinuava que eu estava paranoico, beirando a ideia de que eu era paranoico e psicótico  ( el@ nunca usou essa palavra ) ,  mas,  dado meu nervosismo com essa situação extremamente irritante,  dizia  el@  que eu precisava tomar remédios.

E a isto se chama  « gaslighting »,  algo que também sofri com @s  « orientand@s/colegas »  do grupo   d@   prof@  [MZ] ,  que diziam que,  por eu ter a testa e os olhos grandes,  eu teria uma feição de ora  « psicopata »,  [ora]  « sociopata »  e de possível  « serial killer »,  que um dia iria à  [U3]  para atirar em massa em todo mundo.

— Ah,  @ ,  mas  el@s  só faziam troça com você.

Só que questionar a sanidade de uma pessoa e induzi-la a pensar ela mesma que é louca e que precisa de remédios,  por criticar tratamento privilegiado  [entre orientand@s],  entre outras coisas,  chama-se  « gaslighting »,  que consiste em,  aos poucos,  ir minando a própria confiança da pessoa em suas capacidades intelectuais e mentais,  a ponto de realmente ter desconfiado de que poderiam ter razão e então seria  um@  mer@  lunátic@ .

Agora, isso, desde 2007-2008, quando comecei minha  [IC]  com  @  prof@   [MA]   até meu mestrado com   @  prof@  [JCE] ,  sofri simplesmente um achaque moral e psicológico,  que vim a chamar de  « assédio moral » .

Mas logo percebi que,  embora tivesse as minhas agruras,  e não conseguisse avançar  ( nem  [Z],  nem  [E]   jamais me ajudaram de verdade em minha pesquisa,  orientador@s  nunca me orientaram ou se o fizeram foi muito pouco). E com isto eu tive minha carreira acadêmica destruída, por ser visto como um  « malucão »  que diz coisas  [sem]  sentido e que filosoficamente ou, do ponto de vista da filosofia acadêmica, estava praticamente  «  mort@  » .

Talvez   @  senhor@   nem leia o que aqui escrevi.  Talvez  @  senhor@  ache simplesmente que são as lamentações de uma pessoa frustrada, que não lh@ interessam nem um pouco.  Só que desde meus 14 anos, quando tomei contato com a filosofia, tomei como modelo de arguição ou de contra-argumentação o modelo de Sócrates  (daí a menção ao  « daimon »  de Miguel e Joshua, em contraposição às práticas do umbanda e do candomblé em que tod@ @  [f]  está inclusa ).  Foi um ataque pessoal feio?  Sim,  mas aquele segundo áudio,  que é meramente filosófico,  […] consistia numa conversa  ami[stosa]  sobre as noções  de   « virtude »   como   « possível »   ou   « potencial » ,  porque ter a   « capacidade »   ( « dúnamis » ,  potência )  para fazer algo é o mesmo que ter uma   « virtus »   para fazer tal e tal coisa.

E isso aparece aos borbotões na Escolástica,  no mínimo em Tomás de Aquino.  Os áudios 1 e 2 nada tinham de pessoal.

 

 

 

Naquela época eu ainda era tratado muito bem por alguém que fora   amig@  desde 2007/2008,  @ tal  d@  [G] ,  a quem muito admiro,  e por isso não vejo como eu poderia ter inveja  (  « invedere » )  del@, pois eu   « vejo »   muito bem suas qualidades.  Embora el@  —  e talvez um@ ou outr@ membr@ d@  [C] —  decidiram que aquele áudio não poderia ficar no YouTube  — quando eu apenas queria usá-lo para iniciar um diálogo ou uma pesquisa em construção sobre essas mesmas noções,  que tanto me animavam em 2013.

Se usei uma linguagem simbólica e extremamente    « comprimida »    para falar uma série de coisas,  sendo que seu conjunto é incompreensível para quem não viveu ou não conviveu comigo durante esse tempo todo (desde 2007/2008),  ou mesmo até para el@s,  talvez não seja claro o que eu estava falando ou fazendo ali  —  embora el@s me conheçam há quase 10 anos,  ou em alguns casos,  por,  no mínimo,  5 anos,  espero sinceramente que tenham entendido.

Pronto, embora  @ senhor@  talvez não tenha paciência para essas  « picuinhas »  ou  « coisas que não lhe dizem respeito » ,   foi justamente pelos e-mails que trocamos no ano passado sobre o significado do verbo e da noção de ser que fizeram com que  [E]  e  outr@s  ficassem  melindrad@s ,  incluindo  @  [J] .  Minha pessoa e minha carreira acadêmica filosófica morre[ram] ali.  E eu mesmo morri para  el@s  naquele período, com  [E]  nem mais conseguindo manter uma linha mínima de diálogo já em 1.º de julho do ano passado em evento da  [U2] .

Há muito mais por debaixo disso tudo que eu disse?   Sim.   Eu não conseguia produzir a contento?   Não.   Mas há razões para isso.  E não vou eu ficar fazendo  @  senhor@  perder mais tempo comigo.

Só digo que reste tranquil@ ,   porque,  de fato,   apenas usei a lista de e-mails que eu tinha d@  [C]  para fazer um pouquinho de  « justiça simbólica »  contra quem simplesmente tirou um vídeo do ar sem falar comigo. Quando na época  @  [G]  sabia que eu tinha pedido para gravar e  el@  disse que não havia problemas;  el@ sabia que eu estava tentando compreender melhor como funcionava esse vocabulário da  « virtus » ,  da  « potentia »,  e,  no fim,  do virtual enquanto  « virtude »  ( ou  « capacidade para fazer ou emular algo » ) e do potencial como quase sinônimo;  porque ter a virtude para fazer algo é ter a capacidade ou a potência inata para fazê-lo.  O vir a ser de um ser vivo,  ou seu devir,  é necessariamente condicionado por sua  « virtude »,  « capacidade »  ou  « potência »  ou  « possibilidade »  para de fato vir a concretizar ou realizar que ou quem se é,  e isto desde a fecundação do óvulo até o necrotério.  Donde,  a máxima de Píndaro,  que Nietzsche apenas  « copiou »  ou  « plasmou » :  « torna-te quem tu és ».  É isto que está em jogo,  o devir ou devenir  ( no espanhol )  diz respeito a um vir a ser que não é ele aleatório, mas que já está em germe na própria  « fecundação »  de todo ser vivo,  porque se trata de uma capacidade natural.

Mas eu muito mais disse.  E para deixar de lado as picuinhas ou  « a parte feia e suja da coisa » ,  que realmente não  lh@  diz respeito,  a não ser porque  [C]  e  [E]  se melindraram com nossa troca de e-mail[s] há mais de um ano atrás,  e decidiram que eu definitivamente estava louco ou que eu queria  « queimá-l@s »  com você,  dizendo que  el@s  não aceitavam que eu fizesse a pesquisa que eu queria fazer.  E,  admito,  não fui um bom aluno,  não produzi a contento,  el@s estavam provavelmente cert@s .  Mas há uma série de questões que não vêm ao caso aqui, mesmo porque eu não preciso ficar a me justificar o tempo todo.

Espero que esse e-mail tenha sido menos incompreensível e reste  sossegad@ ,  eu não mais  @  importunarei.  A não ser com uma questão,  que ,  se  @ senhor@  chegou aqui ,  gostaria de pedir-lhe auxílio :  @ senhor@  poderia ter alguma indicação bibliográfica de como eu poderia fazer essa pesquisa sobre  « virtus »  como uma espécia de  « potentia ou capacidade nata »,  incluindo as noções de passível  (uma coisa)  e possível  (outra coisa) ?  Isso na baixa Idade Média[.]  Se  @ senhor@  pudesse fazer esse favor,  eu agradeceria bastante.  Se não puder,  de novo,  não está mais aqui quem acabou de escrever tudo isso e ,   de novo ,  reste  sossegad@  porque  @ senhor@  « está inclus@ fora dessa » .  Não será  perturbad@  mais por mim enquanto eu viver.

Só espero que matize um pouco aquele e-mail inicial,  que é um tanto agonístico e cheio de simbolismos e referências que eu quis usar para ilustrar o mais rápido possível o meu ponto.  Lembrando que os áudios 1 e 2 eram meramente uma conversa entre amigos à época.

 

 

 

 

E os áudios 3, 4 e 5   [logo acima]  são só um evento que ocorreu em Paris quando da  « aposentadoria »  ou  « despedida »  de  Jean-François Courtine .  Salvo engano, o áudio 3 é a fala, gravada in loco na Sorbonne,  de  Alain de Libera ,  o  áudio 4  provavelmente é o de  Olivier Boulnois  e o áudio 5 ,  salvo engano ,  é a fala de  Jean-Luc  Marion .  Creio ter sido essa a ordem. É só um registro histórico de um evento aberto ao público, que pude assistir e em que fiquei bastante feliz de ver aqueles caras tão bons naquilo que fazem conversando sobre filosofia sem melindre;  ou sem considerá-la uma atividade morta e que dev[a] se restringir aos anais de algo que não faz o menor sentido hoje,  quando eu vejo na filosofia antiga e medieval todo um material riquíssimo que está vivo,  e que pode ser questionado,  mas sem o desqualificar de pronto,  dizendo que está datado e que nada ali mais vale depois de  autor x , autor y ,  autor z .  Isso eu não aceito em filosofia,  porque minha concepção socrática,  platônica  e  aristotélica  é  a  de que a filosofia é sim algo vivo,  é sim um modo de vida ou uma quaestio ou um quest ,  uma espécie de chamado ou vocação ,  e ,  sim ,  pode-se participar de uma grande conversação por menor que se seja perante os  « grandes filósofos » .

Espero que  @  senhor@  tenha tido paciência de ler o que escrevi acima, da maneira a mais simples possível.  E espero que  @ senhor@  possa entender  ( embora não precise acreditar no que eu disse )  que  « gaslighting »,  induzir uma pessoa a ela mesma achar que está insana ou lunática ou louca é um artifício imoral para afastar aquel@ que pensa diferente,  que age como um [e]nfant terrible,  que pergunta o que quer,  porque o que lhe interessa não é ser amiguinh@ e incensar @s  mandachuvas  de seu grupo,  mas sim viver a filosofia,  tomá-la como uma atividade ainda viva e simplesmente viver a  quaestio  e a  disputatio ,  o mais pura e filosoficamente possível,  mesmo que às vezes isso nos ponha numa situação de  « saia [justa] » ( para el@s ou para mim ) .  Ou: por que eu seria obrigado a seguir o historicismo  del@s ,  que toma a filosofia antiga e medieval [por] mortas ?  Há muito do que está ali que é sim datado.  Mas há todo um rico material a ser explorado que pode nos levar a nos aventurar[mos] questionando nossas próprias crenças e dogmas contemporâneos,  no mínimo,  matizando-os.

Há toda uma auto-crítica que eu poderia fazer sobre meu comportamento.  Mas  @  senhor@  já acabou de ser  assediad@  textualmente  « macrologic[amente] »  ( [artifício] típico dos sofistas,  segundo Sócrates ) .  E peço vênia.  Não sei se   @  senhor@   lerá uma linha do que escrevi.  Mas, apesar de tudo,  espero que possamos em algum momento manter um diálogo fraterno sobre assuntos sérios em filosofia .  Porque eu sinceramente sei que preciso de ajuda  (não psiquiátrica, como dizia  @  [E] ) ,  mas de alguém que possa me dar uma dica bibliográfica ou outra sobre temas que me interessam não por uma mera curiosidade ou por mero  « joguinho filosófico » ,  como se filosofia fosse um  « jogo lúdico »  sem consequência nenhuma.

De novo,  peço vênia por escrever esse longo e-mail,  logo no domingo de manhã,  e não espero uma resposta sua sobre as questões filosóficas de mérito que tentei levantar.  Esqueça ,  por favor ,  aquilo que   @ senhor@  mesm@   disse que não lh@ diz respeito.  E é isso.  Não vou revisar esse e-mail  [caveat :  acabo de fazê-lo aqui ] ,   e,  sim,  tentei ser o mais claro possível aqui,  sem recorrer a um discursinho  « simbólico » .  Menos é mais.  Só que eu escrevi demais.

Enfim.

Um sincero abraço,

Adriano Martinho Correia da Silva.

De como Olavo de Carvalho não sabe nada de nada sobre o PSDB, o PT, o “socialismo fabiano”, nem sobre a noção de “revolução passiva” em Gramsci

Eu sei que esse tom de bravata deve ser modulado daqui em diante. Mas essa é uma “peça de resistência”. Sim, eu realmente acredito que Olavo de Carvalho fez muito mal à intelectualidade no Brasil e criou nano-fascistas da “alt right” e que isso não é bom. É gente que fala sem saber de nada. E isso está a anos-luz de “ciência” política. Por isso publico o texto abaixo, em que tentei deixar claro que a própria maneira com que Olavo de Carvalho sempre encarou o gramscismo, o PT e o PSDB é simplesmente uma distorção da realidade, uma espécie de “paralaxe cognitiva”, que faz afirmações que não dizem respeito factual a nenhum dos dois partidos de centro-esquerda ou mesmo de esquerda (no caso do PT), mesmo que este partido tenha do dia para a noite virado, em 2003, um partido que, no governo, praticava medidas neoliberais (no sentido daquele liberalismo que vem da Universidade de Chicago), do qual o próprio Bolsa Família faz parte enquanto uma prática do que esses “neoliberais” da escola de Chicago chamavam de “imposto negativo” (e aqui vejam Suplicy chamando a coisa pelo seu nome). Ao texto. Com o tempo vou acertando o tom, tanto quando falo do departamento de filosofia, como quando falo do próprio olavismo. Todo iconaclasmo deve proceder com uma “destruição respeitosa dos ídolos”. Agora, é óbvio que ninguém vai gostar do que tenho escrito. Mas não estou aqui para agradar ninguém, só para apontar para fatos e situações que me parecem um tanto arcaicas, ou simplesmente, no mais das vezes, simplesmente desonesta ou mal informada.

Se quiserem me bloquear, Filipe G. Martins e Olavo de Carvalho, eu fico aqui falando sozinho. Mas irei falar sobre e como acho que deva falar. E isto, daqui em diante, com modulações e em tom mais construtivo, do que destrutivo.

Remeto ao texto, porém, que é um comentário sobre um comentário de Olavo de Carvalho e de seu “pupilo” brasiliense, Filipe G. Martins, a quem sempre considerei uma pessoa temperada e amigável, embora eu ache que ele esteja indo por um péssimo caminho, defendendo Trump e o indefensável. Sem mais delongas, porém, sigamos com o texto.

Caveat: como se trata de texto de Facebook, e eu tenho feito um uso de hashtags tanto como “marketing de guerrilha”, como “auto-irônico”, o texto tem um caráter meio que de “internetês”. O que importa, porém, é apontar para o que de fato era o PT, o que de fato foi o PSDB, e como ambas se formaram. Nada tendo o PSDB a ver com “socialismo fabiano” e sendo esta uma expressão conceitual que diz nada sobre nada em quase nenhum momento histórico. Foi uma modinha temporada no Reino Unido da Grã-Bretenha no último quartel do século XIX e no primeiro quartel do século XX. Morreu cedo. O que resta do “movimento” hoje são relíquias. Eles não têm influência política nenhuma, e se tiverem é preciso mostrar que tenham. Mas duvideodó.

*

Filipe G. Martins defende uma 'ciência' política que é somente 'ideologia' política, no sentido marxiano de ideologia
Filipe G. Martins defende uma ‘ciência’ política que é somente ‘ideologia’ política, no sentido marxiano de ideologia

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O que o Filipe não pode dizer é que Olavo de Carvalho usava muito, mas muito mal o conceito de #SocialismoFabiano, que nada, nada tem a ver com gramscismo, nada tem a ver com marxismo, nada tem a ver com nada do Brasil. Pobre Bernard Shaw, #RestInPeace.

Olavo sempre confundiu a social-democracia brasileira ou o partido que leva tal nome com “socialismo fabiano”. Às vezes chamava de “menchevique”. Coisa triste. Nada, mas nada a ver com nada.
Se isso passar por ciência política só o pode ser enquanto ideologia no sentido mais marxiano do termo: “mentira”.

Usar o conceito de “socialismo fabiano” (só porque Delfim Netto assim se definiu um dia, lá longe) é de uma caipirice que só podia vir de Campinas (nada contra a cidade, nem contra a Unicamp). É que a turma lá, como a turma cá do ABC Paulista, puxa o “r” e tal.

A melhor maneira de entender FHC é pelos debates cepalinos (o mesmo se pode dizer de Serra). A questão ali era totalmente outra, tinha a ver com Florestan Fernandes, com desenvolvimento do capitalismo no Brasil, e mil coisas mais. Havia um sociólogo na USP que dava aula sobre isso. Tenho o DVD dele, até talvez esteja no YouTube (se não estiver, eu ripo e ponho lá).

Aliás, quem entende melhor no Brasil o que era e o que representava o PSDB chama-se Reinaldo Azevedo, o sub-intelectual do partido. Em entrevista na #PrimeiraLeitura (vou pegar e escanear essa porcaria) fica cristalino do que se trata o #peessedebismo e a própria presidência de #FernandoHenrique, que até #MarilenaChaui veio a entender em 2006, “o novo príncipe”, aquela história toda.

Quanto ao PT e suas sub-facções alinhadas (#CUT, #PCdoB, #UNE, #MST, etc., etc.) ali a balbúrdia é enorme. Há um pouco de #Gramsci, há um pouco de #NewLeft americana, há “programa de renda mínima” (o que lembra o #neoliberalismo nato da #EscolaDeChicago), há trocentas mil coisas. Mas o que há principalmente é a #figuraweberiana do #LíderCarismático. O #PT não existe sem #Lula, vice-versa, e o Estadão sempre esteve certo ao grafar em editorial #lulopetismo. Não existe PT sem Lula e não existe Lula sem o PT. Mas existe o PT sem Toninho do PT (Campinas, #MartimVasquesDaCunha sabe disso) e existe PT sem #CelsoDaniel (eu sei bem disso, acompanhei todo o noticiário do prefeito de minha cidade in loco a partir de 20 de janeiro de 2002). Não, não vou olhar a data porque um é o dia em que ele é assassinado, lembro bem; outro é o dia em que ele é sequestrado (dois dias antes ou três).

E o PT sem Toninho e sem Celso Daniel tem dois nomes: #Palocci e #Mantega. Como um país pode ter tido dois ministros da Fazenda (Mantega foi do desenvolvimento no começo) que justamente manipulavam as finanças do próprio partido a partir de propina de mil e uma empresas campeãs nacionais?

E a Época e o #DiegoEscosteguy (editor da revista) vêm falar em derrubar #MichelTemer? Como se pode derrubar o subproduto — a PUTA do PT, empalar o empalador #Drácula — a 1 ano e alguns meses das #presidenciais? Como se pode dizer que #Temer é o líder da #ORCRIM (organização criminosa) mais perigosa do Brasil? Não, o líder da ORCRIM é Joesley Batista (em conluio com o PT) e sua assessoria de imprensa chama-se Rede Globo.

Enfim, #OlavoNãoTemRazão e #OlavoErraMuito.

(Publicado originalmente no Facebook em 1º de julho de 2017.)

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Começando uma longa conversa sobre « O Departamento Francês de Ultramar » (vai, Paulo Arantes!)

Foto do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (ou o Jardim das Aflições)

Como seria o mundo sem a Cidade Universitária da USP segundo o Estadão? Basta clicar no link à esquerda.

Quanto ao resto, por ora nada tenho a dizer. Vou me restringir nesse início às seguintes postagens em rede social:

Postagem 1

Tomei minha decisão, queridos Joel Pinheiro da Fonseca, Luiz Felipe Panelli, Ricardo Marques Silva, Daniel Nagase, mas fiquem tranquilos que a luta não é sua, nem vou ficar marcando vocês no futuro. Era só uma deliberação alegre (não brinco, estou feliz mesmo) tomada depois de uma boa e gostosa noite de sono bem dormida. E dormi pra valer mesmo. Até ronquei (preciso emagrecer e parar de fumar um maço por dia, hehe). Pena que titio Olavo de Carvalho me bloqueou, não adiantou nem a água santa de Filipe G. Martins.

 

Postagem 2

Se ele escreveu aquele livro sobre « ciclo de conferências sobre Ética na Política », organizado pela secretária da cultura, Marilena Chaui, realizado no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, durante o governo Luiza Erundina (salvo engano), ele o fez sem ter passado 10 anos na USP, sem ter carteirinha e ainda ser aluno da licenciatura (como essas coisas acontecem, só a administração da FFLCH – USP pode explicar, ou do Departamento de Filosofia da USP ou da Filosofia FFLCH-USP).

Alguém precisa atualizar “instantaneamente”, ao longo dos próximos 18 meses, O Jardim das Aflições. Com um pouquinho mais de conhecimento de vivência por lá e por conhecer o #ModusOperandi interno da coisa, as disputas, as vaidades, as veleidades e também as cretinices; mas meu trabalho será mais arqueológico. Vamos revolver e revocar o campo santo da #FazendaButantan.

À luta, guerreiros! (Refiro-me à vitória exemplar dos Corinthianos ontem sobre o Avanti Palmeiras no estádio do #AranasPark).

“Quando se é”, “quem o é”, enunciados hipotéticos x categóricos, aspectos modais e outras firulas mais

Valeriana Officinalis Flower

Queridos, é o seguinte. Eu levo tudo, tudo na brincadeira. Mas se você questionar a minha gramática — fora o fato de eu escrever mal porque fico enchendo meu texto de comentários parentéticos — aí você me ofendeu.

Se alguém vier dizer que um enunciado do tipo “se x, [então] y” não é condicional, porque seria um pronome reflexivo (“se fez” é ambíguo, p.ex., porque o pronome reflexivo pode estar ali, mas pode estar omitido), aí sim você vai ter uma briga de morte comigo. Fora isso, pode xingar até a minha progenitora e eu estarei mijando e andando para você.

De novo, e vamos aqui tomar o trecho textual em sua “clareza mais clarividente”:

« É fácil falar isso quando você mesmo se recusa a […]. »

Bom, o caso é um tanto complexo e ambíguo mesmo, não vou negar. Mas com um pouquinho de chá de valeriana ou camomila e boa vontade vê-se que é um enunciado condicional, no subjuntivo (em minha leitura pessoal).

Vejamos:

« quando você mesmo se recusa a… ».

Okay, pensando bem, aqui a única leitura é de pronome reflexivo. Mas avancemos um pouco mais. [caveat: mudei de ideia.]

« É fácil falar isso quando você mesmo se recusa a reconhecer o papel #partisan da Globo […] »

Talvez o contexto seja crucial aqui, não sei; posso ter escrito mal mesmo. Isso não é raro, é o mais comum. Sou meio acelerado. Mas sigamos.

« É fácil falar isso quando você mesmo se recusa a reconhecer o papel #partisan da Globo, que decidiu que jornalismo é panfletagem. Isso sim é desonestidade intelectual. »

Um “se se recusa” aí é agramatical, porque já se tem o pronome de tratamento “você”.

[Uma formulação sem “você” poderia permitir uma assertiva hipotética do tipo: “quando se se recusa a”. Esse é o problema. E cá estou eu editando o texto depois de tê-lo escrito e mudando de ideia de novo.]

Então o que diabos pode dar um sentido condicional ao trecho em questão? Por que o “se” ali na minha cabeça não é reflexivo?

Reformulemos: « […] quando você mesmo se recusa […] ».

Okay, quedo vencido. Errei. [caveat: só que não; mudei de leitura pouco depois.] Não há leitura possível do trecho como podendo ser um enunciado do tipo “se x, então y”.

Sempre que se usa um “quando”, seu aspecto é [quase?] sempre indicativo. Daí a diferença entre “quando eu faço isso” e “se eu faço isso”.

A única defesa que posso ter aqui é dizer que eu estava falando genericamente. Hábito que eu tanto reprovo nos outros. Agora, se eu estava falando genericamente, como esse conjunto de enunciados pode ser ele asseverativo e não hipotético? E se é hipotético, então é condicional.

Lendo sem se colocar no quadro que eu indico ali, é possível fazer uma leitura do tipo “se se faz isso, logo se é”. Mas se eu disse o nome da pessoa, e digo “quando se faz isso”, trata-se sim de um pronome reflexivo [caveat: só que não, sigamos].

O problema, e esse é o busílis (ui), é que para mim, sincera e honestamente, o conjunto de sentenças era « hipotético » e não « categórico ». Algo como, “quem trai o amigo”, ou “quando se trai o amigo”. Esse tipo de frase não diz respeito a fatos no mundo, mas a modalidades potenciais ou possíveis. E se diz respeito a um modo “possível”, logo, mesmo estando formulado no indicativo e não no subjuntivo (ou poderia estar? talvez se eu tivesse usado “seria” [futuro do pretérito do indicativo] ou “fosse” [pretérito imperfeito do subjuntivo]), o conjunto de enunciados diz respeito ao que “poderia ser” (modal possível) e não um “é” (factual e indicativo de um estado de coisas). Principalmente quando não sei se a pessoa pensa aquilo mesmo.

Enfim, errei quando disse que aquilo ali era um “se” condicional [caveat: logo abaixo explico por que vim a entender que não, não errei]; não me parece ser possível defender gramaticalmente essa leitura. Mas, quero crer, e sendo muito sincero, que o conjunto de enunciados ali em cima não é assertivo, nem categórico, mas hipotético. “Quando alguém faz isso” mesmo que conjugado no indicativo, parece-me e soa-me subjuntivo (do mundo do “poderia ser” e não do “é”). Do mundo das possibilidades e não do mundo tal como ele é.

*

Dito isto, mudei de ideia. Eu entendi qual é o pronome da frase no meio da revisão deste texto. O problema é justamente o pronome de tratamento “você”, que atrapalha a leitura.

Vou tentar de novo. Formulação original:

(1) « É fácil falar isso quando você mesmo se recusa a reconhecer o papel #partisan da Globo, que decidiu que jornalismo é panfletagem. Isso sim é desonestidade intelectual. »

Okay. Agora eu vou reformular esse mesmo conjunto de enunciados sem o pronome de tratamento “você” e testar para ver o que acontece.

« É fácil falar isso quando você mesmo se recusa a reconhecer o papel #partisan da Globo, que decidiu que jornalismo é panfletagem. Isso sim é desonestidade intelectual.

Okay. Aparentemente, eu tinha razão. O papel de “você mesmo” ali é de um pronome reflexivo formulado com o pronome de tratamento “você” mais o próprio reflexivo “mesmo”. Dizer “você mesmo” é uma maneira coloquial de se usar o pronome reflexivo “se”. Então de fato, embora o “se se” fosse agramatical numa sentença com “você mesmo…”, quando eu digo “você mesmo” essa expressão já funciona ela mesma como o pronome reflexivo “se”. Simples assim. Deste modo, sem perda ou mudança de sentido do original, eu poderia ter escrito de outra maneira, que aqui chamo de “formulação com alteração, mas sem adulteração”:

(2) « É fácil falar isso quando se se recusa a reconhecer o papel #partisan da Globo, que decidiu que jornalismo é panfletagem. Isso sim é desonestidade intelectual.

Curiosamente, tudo o que fiz foi tirar o “você mesmo” e trocar pelo pronome reflexivo “se”. Portanto, eu estava certo, depois estava errado, e agora estou certo de novo. Pensar dói. Mas pelo menos aprendi (sério, isso aqui é #nascoxa) que “você mesmo” exerce o mesmo papel gramatical que o pronome reflexivo “se” e naquela formulação original mesmo, quando digo “quando você mesmo se recusa”, “você mesmo” funciona como “se” reflexivo e aquele “se” ali é sim gramatical e sintaticamente um “se” hipotético ou condicional. E eu diria que isso faz com que tudo que foi escrito ali está, mesmo que não formalmente, sei lá, pelo menos informalmente no subjuntivo, no mundo do “pode ser que quando” e não no mundo “quando é assim”. Embora mesmo nesse último caso, o “quando” também tenha ali um aspecto subjuntivo e hipotético. Porque “quando é assim”, embora “é” esteja no indicativo, não diz respeito ao mundo como ele é (ou como indico que ele seja no indicativo), e sim como quando o mundo pode ser assim, apesar de formalmente o “é” estar no indicativo.

Ou seja, a própria língua portuguesa clama pelo noção de aspecto, porque as formas sintáticas de conjugação dos verbos são insuficientes para dar o sentido conotativo, e não denotativo de algumas formulações que nunca foram ofensivas na cabeça daquele que as formulou.

[E não, não tenho certeza se denotação ou conotação tem a ver com esse imbróglio chato do baralho.]

Acerca das noções de virtual, virtualidade, possível e potência no latim de Tomás de Aquino

Campus Butantã - USP

(Catzo, quem vir o vídeo e/ou ouvir o áudio vai ver como sou ansioso, falo alto e sou meio desesperado-Belchior, uia!)

Às vezes fazemos algumas coisas sobre as quais não temos controle nenhum quanto a seus efeitos. Se eu posto uma conversa de 2013 — lá nos “jardins” abaixo do estacionamento do « Prédio de História da FFLCH » —, fazendo no Adobe Premiere Pro uma montagem #nascoxa, e publico no YouTube e no Facebook, logo vão achar que estou querendo “aparecer”. Não, meus caros. Eu só vou é “parecer” tolo mesmo. Mas há todo um modo de vida que revolve sobre a « tolice ». Um dia eu falo mais sobre isso e como « parecer tolo ao mundo » é uma estratégia, a qual, aliás, perde parte de sua eficácia quando a formulamos « em voz alta » ou « por escrito », afinal ações dizem mais que palavras.

A única razão pela qual estou postando esse áudio, um diálogo com o querido « Gustavo Barreto Vilhena de Paiva », quando ele ainda conversava comigo e tinha tempo — afinal, ele deve estar defendendo seu doutorado em alguns dias (se já não defendeu), sendo ele dois anos mais novo que este cá que escreve, e que não #chego (isso, não #chego) aos pés dos meus três maiores professores de filosofia:

« Daniel Nagase », « Paulo Ferreira » e « Gustavo Barreto ».

Foi com eles que travei os diálogos “filosofantes” mais difíceis de minha vida. Perdi todos e saí sempre feliz. Porque é só perdendo que se aprende. E é aquilo que perdemos, seja por qual motivo for, que nos dá aquilo que há de mais valoroso na vida, embora isso às vezes venha na morte, seja simbólica, seja a da própria carne.

Enfim, esse diálogo se travou por uma razão muito simples. Eu queria porque queria, em minha obsessão à época, juntar a noção de « virtual » ou « virtualidade » (latim « virtus » ou « vir ») às noções modais de « possível » e/ou « possibilidade » e de « poder », « potência » ou « potencialidade ». Tentei fazer isso num texto muito confuso, para variar — um dos dois que publiquei no blog da revista « Dicta sem Contradicta ». Sim, vou, espero, recuperar aquele post e a discussão que travei à época com « Daniel Nagase » na caixa de comentários, a qual fez todo mundo morrer de tédio.

Mas não é para os entediados e sonolentos que escrevo ou com quem falo. Se você está com soninho aí, ora, continue sonhando, eu já não estou mais aqui. #Fui

*

Adendo [17h50]: Já que tudo aqui neste espaço é feito #nascoxa #memo, aqui vai o adendo que publiquei no Facebook:

Agora eu quero ver a Patrícia Schlithler, minha outra professora, explicar-me o que diabos o verbo « poder » em grego ou a noção de

« potentia » (« dynamis ») tem a ver com

(1) « possível », « possibilidade »;
(2) e também « virtual », « virtude ».

Porque ter uma « virtude » é

« poder fazer ou realizar algo »

(donde « reificar », o verbo em português, ou « hipostasiar »),

ou seja, de um lado temos a

« res », do outro lado a

« hypóstasis »,

para não falar « daquele que deita » (“lies under”), o tal do

« hypokeimenon » (donde « subjectus », « subjacere » ?).

Esse é o lance. E não vale dizer que não sabe “filosofia”, estou recorrendo à “filologia” aqui.